se os ditos nos escapam
não os temos ou temo
ser tudo um pouco aço
como coisa concreta
nada de clarear aos poucos
tampouco descrições breves
regurgitamos recordações
em voz
para des
atados nós
não queremos o sentimento abismo
cohabitamos a pele-dúvida
carne-viva
numa superfície sem fundo
afundo
a angústia à primeira vista
sequer certo de nossas erratas
não façamos contas em tempos retos
mas em um anti-sentimento
expresso
não mais que três ou quatro
palavras ou goles me bastam
para gritar ou acalmar por
acaso
em mim ou no mundo que esquece
suas idas por algumas horas ou para sempre
ignora aquilo dito ou pensado
quando quis o sim ou não
proesias reunidas para leitores imaginários
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5 de set. de 2009
5 de fev. de 2009
rasante
!su:#c0n3cTacrte*0101 02@tea7r0v1zv4?
morro porque voo alto na beira ou em cima, errante fluxo de coisas precoces. corro porque belo transponível por outro tipo de carne solta morta em lembranças, vou misturando ao presente na percepção os sentidos que viram consciência premptória em um breve lampejo. como na corda bamba, que enquanto consegue não cair evita bater ao chão sua cara e espalhar o sangue aos pés do patrão, que foge com a recordação de um filme maquínico de metais reluzentes e vis.
d1Gy74n0us14@n0oZf3R4{'0!
morro porque voo alto na beira ou em cima, errante fluxo de coisas precoces. corro porque belo transponível por outro tipo de carne solta morta em lembranças, vou misturando ao presente na percepção os sentidos que viram consciência premptória em um breve lampejo. como na corda bamba, que enquanto consegue não cair evita bater ao chão sua cara e espalhar o sangue aos pés do patrão, que foge com a recordação de um filme maquínico de metais reluzentes e vis.
d1Gy74n0us14@n0oZf3R4{'0!
4 de fev. de 2009
poesia espasmática coletiva
0.3 Aprendendo o enigma das doses
Mexam suas orelhas. Ideias preguiçosas: não faremos nada
Oficinas de nada. Sangre, sue, sorria
Na primeira vez que quis salvar o mundo, me fodi
Quem paga a revolução? Quem revolucionar o pagamento
(Acabaram de passar aqui na frente fazendo um arrastão)
Essa ideia ninguém me tira: matéria é mentira
[Energia livre já: E=mc²]
A vida é uma droga. Não é uma metáfora
mas uma tautologia.
Verves, verves, verves...
0.2 Vértices e vertigens: Artista é o pedreiro
Em meio a tantos vocábulos lineares, fincamos no pasto nossa declaração de independência. Vida de armas, camas e karmas. Eles estão surdos! Ninguém é dono das ideias. O comum pertence à multidão e é regra. Com máquinas de poesia-guerra, a natureza inventou a gratuidade e ela continua sendo re-inventada dentro de um direito que escapa ao Direito: o direito à produção de sentido. Nenhum ser humano é uma ilha desconectada. Como me encantam as reuniões fora de hora...
0.1 Eu e você = nós = tudo e todos
Somos re-combinações. Contra a pilhagem da volúpia,
a volúpia da pilhagem.
Libertação animal, sexo grupal,
rios, pessoas novas,
dar margem a estar na beira
festas e vinho em trânsito,
em transe, em transição.
Co-mova-se. A volúpia destrutiva também é
volúpia criativa
0.0 Livres, nossos filh@s
Soberania gravitacional: pelas livres flutuações, revoguemos a lei da gravidade. Se a criança se desenvolve copiando o mundo que vê, como ensiná-las erroneamente que o processo de aprendizado é crime? Onde está o erro em absorver o mundo? Como ensiná-las a co-governar suas imaterialidades cotidianas? Aquilo que não é vendido e não tem preço. Cada olho pode ser o mundo em uma voz. Observo, absorvo e regurgito uma imersão de novo. Diferente, como sempre.
8: Palindromania: parta do fim para o princípio
Transborde, transporte, transponha os sentidos que subvertem o mundo subumano
Eschizoprana caoeose metempsicóticos
Libertem os pássaros subterrâneos. Cronosfera livre!
Prove, deguste o imprevisível presente
Transborde, transporte, transponha
Prove, deguste, improvise o imprevisível presente. Primo, primeiro
começo
novo
#poesia anônima-coletiva submidialogia#4
Mexam suas orelhas. Ideias preguiçosas: não faremos nada
Oficinas de nada. Sangre, sue, sorria
Na primeira vez que quis salvar o mundo, me fodi
Quem paga a revolução? Quem revolucionar o pagamento
(Acabaram de passar aqui na frente fazendo um arrastão)
Essa ideia ninguém me tira: matéria é mentira
[Energia livre já: E=mc²]
A vida é uma droga. Não é uma metáfora
mas uma tautologia.
Verves, verves, verves...
0.2 Vértices e vertigens: Artista é o pedreiro
Em meio a tantos vocábulos lineares, fincamos no pasto nossa declaração de independência. Vida de armas, camas e karmas. Eles estão surdos! Ninguém é dono das ideias. O comum pertence à multidão e é regra. Com máquinas de poesia-guerra, a natureza inventou a gratuidade e ela continua sendo re-inventada dentro de um direito que escapa ao Direito: o direito à produção de sentido. Nenhum ser humano é uma ilha desconectada. Como me encantam as reuniões fora de hora...
0.1 Eu e você = nós = tudo e todos
Somos re-combinações. Contra a pilhagem da volúpia,
a volúpia da pilhagem.
Libertação animal, sexo grupal,
rios, pessoas novas,
dar margem a estar na beira
festas e vinho em trânsito,
em transe, em transição.
Co-mova-se. A volúpia destrutiva também é
volúpia criativa
0.0 Livres, nossos filh@s
Soberania gravitacional: pelas livres flutuações, revoguemos a lei da gravidade. Se a criança se desenvolve copiando o mundo que vê, como ensiná-las erroneamente que o processo de aprendizado é crime? Onde está o erro em absorver o mundo? Como ensiná-las a co-governar suas imaterialidades cotidianas? Aquilo que não é vendido e não tem preço. Cada olho pode ser o mundo em uma voz. Observo, absorvo e regurgito uma imersão de novo. Diferente, como sempre.
8: Palindromania: parta do fim para o princípio
Transborde, transporte, transponha os sentidos que subvertem o mundo subumano
Eschizoprana caoeose metempsicóticos
Libertem os pássaros subterrâneos. Cronosfera livre!
Prove, deguste o imprevisível presente
Transborde, transporte, transponha
Prove, deguste, improvise o imprevisível presente. Primo, primeiro
começo
novo
#poesia anônima-coletiva submidialogia#4
23 de dez. de 2008
solar da vista
logo esqueceu mas breve notou
com olhos atentos que riam e viam
no meio da pedra um longo caminho
com olhos atentos que riam e viam
no meio da pedra um longo caminho
19 de nov. de 2008
Quem me dera
Quem me dera
Osny
(Lado B do compacto
da Copacabana de 1971)
Ah, quem me dera
que eu fosse um vagabundo
Pelas noites, pelas ruas
desse mundo assoviando distraído
Uma cantiga que a lua inspirou
De recursos desprovida
Queimando dor com amor
Ah, quem me dera
ser poeta, me esquecer
Se Margarida me entendesse
meu Deus, que felicidade
As poesias, pois eu faço, ela não sente
Permanece indiferente
ao inútil enluarar da minha lira
E toda gente ao que passo logo diz
Que rapaz, ah que feliz
Prosa e verso a uma ida
Ah, quem me dera se de amor nada soubesse
E por cima ainda dissesse
Eu te amo, ó querida
Osny
(Lado B do compacto
da Copacabana de 1971)
Ah, quem me dera
que eu fosse um vagabundo
Pelas noites, pelas ruas
desse mundo assoviando distraído
Uma cantiga que a lua inspirou
De recursos desprovida
Queimando dor com amor
Ah, quem me dera
ser poeta, me esquecer
Se Margarida me entendesse
meu Deus, que felicidade
As poesias, pois eu faço, ela não sente
Permanece indiferente
ao inútil enluarar da minha lira
E toda gente ao que passo logo diz
Que rapaz, ah que feliz
Prosa e verso a uma ida
Ah, quem me dera se de amor nada soubesse
E por cima ainda dissesse
Eu te amo, ó querida
22 de out. de 2008
Ana Beatriz
Viva alma rola a mesa
Em gota-a-gota foi Bezerra
Sem Tereza já apruma
Qual forte entorna uma
Porém a festa acabou a banda
Canta calma e lança ao degrau
Largos passos de ciranda
Disparam abrupta conduta casual
Emudecida em um beco sem saída
Minha amiga em revelia não podia mais voltar
Conta outra, cala a boca, bailarina
Tira a roupa se lança ao mar
Em gota-a-gota foi Bezerra
Sem Tereza já apruma
Qual forte entorna uma
Porém a festa acabou a banda
Canta calma e lança ao degrau
Largos passos de ciranda
Disparam abrupta conduta casual
Emudecida em um beco sem saída
Minha amiga em revelia não podia mais voltar
Conta outra, cala a boca, bailarina
Tira a roupa se lança ao mar
5 de out. de 2008
URB
Em concreto, os carros sangram dejetos
Disfarçam segredos e suicidam cidades
Com cores e traços desenhados em pesos
Dançando tal dólar zunindo em metal
Um canteiro verde pouco
Afasta no cinza meus olhos
Sôfregos desvelam paredes
Sombras mentem enfim
Disfarçam segredos e suicidam cidades
Com cores e traços desenhados em pesos
Dançando tal dólar zunindo em metal
Um canteiro verde pouco
Afasta no cinza meus olhos
Sôfregos desvelam paredes
Sombras mentem enfim
psiconautas
não sei do silêncio sepulcral
calo a surda dor da despedida
viro-a ao avesso em versos
complexos contentes sorrisos
fabricam em dó a paz
a contrapeso em livretos
com ardidos sonetos
para d'água poupar
a vista
calo a surda dor da despedida
viro-a ao avesso em versos
complexos contentes sorrisos
fabricam em dó a paz
a contrapeso em livretos
com ardidos sonetos
para d'água poupar
a vista
Três por quatro
Queria chorar e, veja você,
Motivos não tinha:
Revirou dores
Compeliu ao latente pranto
Sólidos pútridos fatos idos
Fáticos olhos e garganta prontos
(e os lábios trêmulos balbuciavam:
inexistentes balbuciando absurdos)
Mas desfez-se o nó
Com olhos a desmarear,
Ela pensou bem e, veja você,
Desistiu de chorar
Motivos não tinha:
Revirou dores
Compeliu ao latente pranto
Sólidos pútridos fatos idos
Fáticos olhos e garganta prontos
(e os lábios trêmulos balbuciavam:
inexistentes balbuciando absurdos)
Mas desfez-se o nó
Com olhos a desmarear,
Ela pensou bem e, veja você,
Desistiu de chorar
28 de set. de 2008
Cada coisa
Viva
cada coisa
Viva entre
cada coisa
Viva entre
Não saber
Viver
Não poder
Morrer
De vida
Quando a sorte dividida
Vestida de preta dívida
O parco sorriso verte
Em pranto
Sete riscos
É no rabo que a serpente principia
Encerra a música e confisca a moça
Sem capricho a labuta dia a dia
O forte sol adia a fraca bossa
Entre ligeiro queima-se em cinza
Fuma um cigarro, abandona os outros
Caminha às sextas com seus fartos oitos
Feito gato como tudo que se mova
Dribla a cadente última estrela
E chuta o sol com o sapato
Domingo a nascente ribeira
Germina nova onde desfaço
Encerra a música e confisca a moça
Sem capricho a labuta dia a dia
O forte sol adia a fraca bossa
Entre ligeiro queima-se em cinza
Fuma um cigarro, abandona os outros
Caminha às sextas com seus fartos oitos
Feito gato como tudo que se mova
Dribla a cadente última estrela
E chuta o sol com o sapato
Domingo a nascente ribeira
Germina nova onde desfaço
21 de ago. de 2008
Um tango com W.S.B.
Ao sol do meio-dia, sombras correm pelos prédios, atropelando carros. Danço tango no céu de Ipanema. Nada além do ódio nos jardins de pedra. Não solte minha mão. Silêncio. Corremos velozes, desviando da vertigem em gestos simples. Seu hálito bêbado descompassa nossas pernas. Pare, mais devagar. Silêncio. Falamos nossa língua. Dia e meio que se vai, enquanto aplaudem, enquanto calam. Cantamos dissonantes notas antes de escurecer. Noite, enfim. Em cima, em tango, cuspimos garrafas que alagarão as ruas sujas com vidros e cortarão os pés dos inocentes. Não solte. Solto. Aurora. Decaído, sangro com eles.
22 de jun. de 2008
recado pendurado na parede
prefiro mudo mas escrito sem ponto ou vírgula deixei o recado pendurado na parede não verás meu retrato pois carreguei comigo os discos e a saudade de quando éramos um fim feliz melhor não avisar ninguém toma um gole com gelo e malte e cala ou grita para acordar as crianças cegas com navalhas correndo atrás de mim não verão mais você na primavera acalma-te sobre os azulejos meus pés não mais estarão no seu rosto amanhã o conformismo porque hoje não retorna no bar com cara de fácil fingindo esquecer a dor que não sinto
bebo alegria pois é sem volta
miguel
bebo alegria pois é sem volta
miguel
17 de mai. de 2008
literato
palavras? digo.
voz nem paz
não lhes dêem
não são doces
torturem-nas
sempre, desde cedo
escolham as mais prudentes
maltratem-nas
façam berrar
não são certas
tornem apátridas
virem-se ao averso
entornem seus sentidos
que a todos encerram
digo,
dos gritos suas súplicas
ai de terem feito.
fustiguem-nas até morrerem
pois de dores lancinantes
depois de pútridas e enterradas
no chão surgirão renascidas
naquilo que jamais queriam ser
estouvadas utópicas erradas
estúpidas palavras estúpidas
sendo salvadoras palarvas turvas
voz nem paz
não lhes dêem
não são doces
torturem-nas
sempre, desde cedo
escolham as mais prudentes
maltratem-nas
façam berrar
não são certas
tornem apátridas
virem-se ao averso
entornem seus sentidos
que a todos encerram
serrem
seus lábios gozados pelas glosas brandas
calem
suas línguas de paz feito brancas
sangrem
pelas ancas suas veias lavradas
que para velho verso só servil
seus lábios gozados pelas glosas brandas
calem
suas línguas de paz feito brancas
sangrem
pelas ancas suas veias lavradas
que para velho verso só servil
digo,
dos gritos suas súplicas
ai de terem feito.
fustiguem-nas até morrerem
pois de dores lancinantes
depois de pútridas e enterradas
no chão surgirão renascidas
naquilo que jamais queriam ser
estouvadas utópicas erradas
estúpidas palavras estúpidas
sendo salvadoras palarvas turvas
11 de mai. de 2008
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