proesias reunidas para leitores imaginários

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8 de fev. de 2009

A mesma porta sem trinco, o mesmo teto e a mesma lua a furar nosso zinco.

Outro dia ele me disse algo muito interessante.
E eu escutei porque não tive outra escolha.
Estavámos deitados ali, um ao lado do outro.
Cada um em seu próprio canto de pensações.
Eu no banal: comida, contas, carro, crianças.
Ele...

Disse repentinamente:
- Não vejo porque aguentamos tudo. Quando as coisas acabam, dá-se adeus e segue-se em frente. Fingir por inércia é pior. Dizemos, assim, que não temos força suficiente. O que é uma falácia tão grande que me enjoa.
E num pulo saiu para o banheiro batendo a porta.

Olhei para o lado assustada.
As palavras tomando um formato estranho na cabeça, o barulho constante da porta fechando, o choro que se seguiu agressivo.
Num instante de silêncio.
Mais uma vez a porta abre e junto dela aquele homem desconhecido.

Acho que nunca tinha realmente olhado para ele.
Fatalmente, ele e a lembrança dele se confundiram nos meus olhos embaçados.
O cabelo negro que se tornara grisalho, o cacheado meio hippie que fora substituido por um corte curto disfarçando a calvice; os olhos profundos, com marcas e bolsas de sonos perdidos; o sorriso torto que o torna inegavelmente uma versão mais ironica de si mesmo.
Os sinais do anos agora gritavam bem alto: a barriga das cervejas com os amigos e dos nossos vinhos de domingo, os milhares de pelos brancos espalhados pelos lugares mais inacreditáveis, as mãos enrugadas e pesadas que me acariciavam vagamente a barriga.
Pequenas coisas que antes passavam despercebidas e agora me agradavam tanto quanto um tapa na cara.

Ele abriu e fechou a porta, voltando mais uma vez para a cama.
Arregalou os olhos assustado ao me ver chorando. "O que foi?".
Respirei fundo. No susto:
- Nada. Achei bonito o que você disse. Fez pensar que não podemos levar a vida frouxa. Me abraça, eu te amo.

Eu sei que ele não me compreendeu. Melhor.
Achou que eu estava doida e me abraçou.
A mesma de sempre, mesmo eu também estando mudada.
Que seja! Que ele me pense louca a me pensar sua.
É assim que vamos vivendo bem até o fim dos dias.

25 de nov. de 2008

Cenas Imemoriais de Afonia

O tempo parecia ser nulo... Era o intenso relato do jamais esquecido; O olhar disfarçava o reduto e este era preenchido apenas pelo sensível. Aquela empoeirada história de sempre tinha lugar outra vez.

As peles expostas, os rostos suados, as respirações insones. Tudo indicava aquilo que ela não desejava entender ou mesmo saber. Esteve ela ali parada defronte com os lábios retesados? E... seu grito tinha mesmo ecoado como um tamboril desafinado e desafiante pelo recinto? Pois bem, o grito surdo tinha sido desvencilhado. Assim, os passos audíveis cruzaram o espaço e a porta se fez fechada no absurdo.

Se algo pudesse ser de fato pronunciado, teria dito que já considerava tal calamidade. Sordidez e veleidades estão presentes pelo mundo e ela, sensatamente, não se negava uma parte da constante da vida. No entanto, a surpresa conseguiu atingi-la não como um raio, como muitos imaginariam, mas sim como uma escopeta, ou seja, de forma ruidosa e franca.

Por fim, lágrimas jorravam ao tique-taquear insistente do relógio da sala-de-estar. Melhor seria não estar e nem ser, pensava. Como seria bom não sentir esse latejar enjoativo na cabeça, nem o fôlego inconstante no peito? Se houvesse como, diria que o pior, sem dúvida, era mesmo suas costas que sentiam tristemente o peso acumulado da idade do mundo e a faziam querer desmoronar e permanecer no chão.

O imbatível momento de sobressalto havia passado, mas a angustiosa sensação que o sobrevêm não. Sentia uma satisfação enfastiável em tomar para si o tempo de deliberações, já que os pequenos deletérios amorosos começavam a corroer a insidiosa bravata que havia vestido ao acordar todas as manhãs. Teria ela a coragem de se relegar ao aceite de sua nova condição? Teria, enfim, que sair por detrás das sombras e recorrer à amuada vida de celibatária?

Eram tamanhas as decisões que sub-repticiamente se faziam presentes e eram de tal ordem que um pequeno espasmo a fez contrair o corpo num indiscreto arrepio. Infelizmente, o sinuoso caminho da alcova não poderia deixar de ser realizado e a vileza de seus companheiros não poderia também deixar de ser cooptada.

O ambiente era puro ruído e nenhum sentido, ou melhor, era indisfarçavelmente o anteposto de uma quimera. Se fez-se outrora a pantomínia, em nada o indicava o presente instante. Havia apenas dois olhares perdidos procurando abrigo num peito desamparado. A espuma das horas e das bocas aflitas não indicava o torpor e o rompante que se instaurava no ensejo à vista. Contudo, era inegável a sutileza de cada movimento e de todo o acento reverberado.

O inocente expectador se abominaria com enfadonha troca de gentilezas. A intrigante amabilidade era causada por um indefectível plano que se fez corrente minutos antes da cena anterior. De nada adiantaria, imaginou a pequena, chegar com pedras e porretes à mão se o que desejava era arrancar o mais profundo urro de dor dos tratantes. Usaria sim de pelica e pelúcia, bem mais eficazes em tal situação, para chegar à conclusão almejada.

Pulemos, então, a parte que transcorre e sigamos para um trecho mais atraente dos acontecimentos. Após a afável troca de cortesias, restou apenas o assaz encoberto elefante branco a ser debatido. Temendo ser traída por seu obstinado pesar, cobriu a boca repentinamente fingindo conter um espirro. O vácuo de tempo transposto pelo gesto não pode ser preenchido por outra coisa senão a confissão do ato que, convém dizer, era exatamente o que ela pretendia.

Lágrimas, pedidos de perdão, gritos de ódio, ameaças, tudo teria se tornado realidade se a torrente do Destino não tivesse desviado o percurso de sua sina. Em um instante apenas, como anteriormente, os meandros da vida se fizeram presente e mudaram a direção dos acontecimentos. O coração, antevendo e temendo sofrer tamanha agressão, susteve-se e as pernas, bambas e cansadas, tombaram ao peso irresoluto da duração ordinária de sua existência, levando, dessa forma, aquele que não poderia ser perdoado a rés-do-chão.

Sem dignidade, malicia ou auto-estima, ela debandou em direção ao combalido corpo com lágrimas de preocupação aos olhos. Toda a tórpida dor, todo fogo acre do ódio, todo o aforismo guardado na ponta da língua foi contido graças ao túrbido estado de nossa personagem. Digo contido para não ter de dizer exaurido ou até mesmo exorcizado, já que passado o momento de preocupação, isto é, dias após, quando o seu finório amado encontrava-se em melhores condições, fingiu nada ter sucedido além dessa atordoante enfermidade.

Não se sabe até hoje se esqueceu no susto ou se perdoou no temor, entretanto, faz-se mister destacar que vive bem, saudável e lépida ao lado dele, sem nunca voltar para casa antes de avisá-lo com horas antecedência para não causar mais nenhum mal-estar ou moléstia, seja no mesmo ou seja, mais provavelmente, entre ambos.

22 de nov. de 2008

Escritas Antigas

Reminescências de uma vida a dois:

Submissão

Seu olhar me enfeitiça.
Pois ele que é feito de veludo,
grita ao estar em silêncio.
Ele tem gosto de mel,
de oásis perdido em deserto escaldante.
Ele é maresia.
Ele é uma criança brincando no balanço.
Ele é fogo, flecha e vulcão.
Ele é o alvo de todas as nuances do céu.
O dia só nasce e se põe com o abrir e fechar dos seus olhos.
Porque seu olhos...
Seus olhos que tantas vezes me rasgaram o peito e as roupas,
espelham apenas o reflexo da totalidade do amor.


Fotos rasgadas

As fotos rasgadas e o tempo não passa.

Árvores balançam lá fora.
E o tempo que não passa.

Relógio tictacteia sem parar.
Mas o tempo que não passa.

Pessoas andam, carros cortam-se no trânsito.
E aquele tempo que não passa.

Sol brilha forte, crianças correm e gritam e se agitam e caem.
Ainda assim, o tempo não passa.

Na praia ondas vão e vem, vão e vem, vão e vem.
Aqui o tempo pára.

Ônibus zigzagueiam na pista, olhares se despistam.
E o tempo nada.

No jornal: Senhor tropeça, mulher desmaia,
E nada.

Cigarro acende e apaga.
Copo enche e de um gole esvazia.
Assim mesmo, nada.

Na cama: nossas fotos rasgadas,
Do tempo que não mais volta.

Lá fora: absolutamente nada,
Nem a eternidade de um segundo.


P.A.Z.

paz
turbilhão de sentimentos que cessam de andar depressa.
tudo se move, nada pára, só.
não é triste, não é morte, não é perda, é apenas.

paz
sentimento obtuso, anguloso, simples e desconfuso.
Algo que grita gentilmente em silêncio.
Que chora solemente de riso.
Que em segredo esconde o perplexo.

paz
Passeia entre meus cabelos a cortar, unhas a pintar e maquiagem de palhaço a fazer.
Que espanta quem sente e engana quem vê.
Que é também a angustia, o nirvana, o balanço.

paz
Que existe somente em (res)sentimento.


Besteirinhas da vida p'ra levar:


Poça d'água

Penso, logo existo.
Penso, logo não durmo.
Penso, logo desisto.
Penso, logo consumo.
Penso, mas logo esqueço.
Penso, mas não entendo logo.
Penso, mas não entendo e durmo.
Penso, logo logo te respondo.
Penso?


Resolva, meu bem

Descobri que não sei nada da vida,
Nada de samba, mulato, futebol ou ferida.
Não sei nada de nada, nem ao menos a saida.

Mas como resolver esse impasse,
Sair desse desfarce,
Encobrir o desfalque?

Não sei isso também,
Então, vai, resolva, meu bem.
Porque, senão, seja a pé ou de trem
Vou-me embora prá passárgada.

6 de out. de 2008

mais uma de outono

A maior dor é se ter perto quem se quer longe e estar distante de quem se quer próximo.
É olhar nos olhos quando se vê a boca e beijar a boca quando se está aos prantos.

A maior dor é não conseguir ultrapassar o disfarce e como um malabarista asfaltar o desejo.
- Verter o riso, falsear sorrisos, mover os dedos e reencontrar o tino.

A maior dor é a silenciosa, da angústia amarga que aperta o peito.
É seguir em frente quando se quer ficar parado e deixar de correr atrás (ou para trás) para prosseguir débil um outro rumo.

A maior dor é aquela dos que não têm o que querem e a dos que sempre querem o que não se têm.
- (Re)Viver o passado, olhá-lo nos olhos, cheirar seu pescoço e atuar o desdém do dia-a-dia.

A maior dor é a dos que calam o que poderia ser berrado e que esbravejam o que nunca deveria ser dito.
É fingir desejo quando não se têm vontade, simular querer quando se têm desapego.

A maior dor é amar quem não deve e, por fim, não amar a si mesmo como se deveria.
- Ver os meandros do futuro sendo talhados no presente e, ainda assim, não se poder fazer nada a não ser sentir raiva.

É, do fim ao princípio, querer e não poder, decorrer e não percorrer, arremedar ao invés de expôr-se.


E, se agora recolho aqui - e apenas aqui - a distância entre intenção e gesto é porque, de resto, me ponho a rir enquanto (en)gano.

29 de set. de 2008

Quem não tem inspiração só consegue escrever prosa - 1


Anabelle ficou calada. Sabia que não deveria dizer o que realmente se passava pela sua cabeça. Contudo, ficar em silêncio nunca tivera sido o seu forte. Respirou fundo e disse a única coisa que não deveria:
- Eu não te amo mais. Acabou.
As palavras, cuspidas num momento subido com firmeza, foram o suficiente. Tudo se tornou cinza e ela saiu do quarto com o estrondo da porta fechando.

O diretor gritou corta.
Todos pareciam contentes, menos ela - e ele. As luzes iam se apagando uma a uma ao passo em que ela deixava o turbilhão e se dirigia para seu camarim. Era uma atriz consagrada há vários anos, mas aquelas tinham sido as falas mais difíceis de sua carreira.
A luz branca do camarim atingiu seus olhos. Sentou-se defronte ao espelho jogando para longe a peruca que a apertava e olhou-se nos olhos ignorando aqueles que a cercavam. Os anos, podia ver, tinham se passado repentinamente e a menina sorridente que um dia tinha sido fora substituída por essa mulher desconhecida e amarga que a olhava de volta sem nenhuma surpresa. Preferiu, entretanto, continuar fingindo - sua grande arte - até o último momento.
- Encontro com vocês lá embaixo para comemorarmos, queridos.
O sorriso que nada tinha de sincero foi o suficiente para aplacar qualquer dúvida. O esforço do gesto conteve um pouco a fúria de seus pensamentos. Sentiu apenas a vida escorrer pelos seus dedos enquanto as pessoas saiam porta afora para celebrar o que acreditavam ser um outro sucesso. Finalmente deixavam-na a sós com a luz seca da realidade.
Arnaud sentia o mesmo. O desagradável gosto do sucesso, o implacável tocar da música dos créditos finais. Acabou. Ele teria chorado o fato se ainda lhe fosse permitido. Não era. Desligou as luzes do seu próprio camarim e saiu para enfrentar aquele dia chuvoso de primavera um ano depois de tudo, anos-luz à frente de qualquer felicidade verdadeira.
Infelizmente, a vida, como é bem sabido, é cheia de pequenas surpresas e eis que apenas alguns passos o fizeram encontrar-se com Anabelle. Esboçou uma reação, mas ela o parou com o olhar. Tinha uma câmera por perto. Andaram mais um pouco em silêncio e se separaram em seguida.
Anabelle voltou para a casa, para a sua família fictícia com seu marido plástico e filhos que poderiam ter saído de um catálogo de compras. Arnaud fez o mesmo. Nunca mais se veriam novamente. O peso era insuportável. A liberdade de Ser tinha sido expurgada, posta de lado em detrimento do entretenimento. Cada um deles podia apenas seguir interpretando seus próprios papéis a vista dos outros.
Mas ela o amava. Não sabia explicar o momento exato em que tinha acontecido, nem como podia ainda ser possível tal façanha. As regras eram claras: a ficção não podia se tornar realidade, nem vice-versa. Suas falas, entonações, pausas e gestos tinham sido os mesmos de sempre, descritos por um dos muitos telespectadores do programa. Aquela história ainda poderia estar sendo contada, mas algo os havia traído. Talvez seus olhares nos bastidores ou o batimento ensurdecedor de seus corações, não se sabe.
Todavia, me adianto. O conto de Anabelle e Arnaud não deveria começar assim, meu filho. Sei que nosso tempo é curto, por isso precisava mostrar um pouco do sofrimento dos dois naquele dia para que você entendesse o porquê de tudo que estamos passando agora.

Ao dizê-lo o Velho acendeu outro cigarro. A tela continuava pausada na expressão fria de Anabelle, com seus olhos cinzentos e duros, seu nariz fino e bochechas rosadas. Traços que avaliados separadamente em nada combinavam com seu maxilar forte, mas que juntos criavam um semblante memorável. Na imagem, seus cabelos passeavam ao vento frio enquanto seus braços permaneciam cruzados, protegidos do contato com o homem que andava cabisbaixo ao seu lado.
O rapaz parecia fascinado pela fisionomia daquela mulher, tão nobre e ao mesmo tempo tão frágil e o velho soube aproveitar-se da pausa para avaliar o quanto do que dissera teria atingindo o garoto. Assim, tornou a vasculhar a caixa ao seu lado a procura de novas filmagens para mostrá-lo enquanto o menino ia absorvendo aos poucos o que tinha pronunciado.
O pequeno quis perguntá-lo porque ele, dentre os garotos que conhecia, tinha sido escolhido para carregar o fardo de passar adiante uma história tão potente. Ele, com seu jeito tímido e seu corpo franzino, não apresentava nada de especial a oferecer a alguém. Entretanto, o velho tinha ido buscá-lo e a ninguém mais, o que em si já era confuso.
O velho o convenceu a ir com ele ao prometer que o traria de volta antes do amanhecer. O menino quis crer que ninguém ali sentiria realmente sua falta. Foi, então, levado àquela casa escondida no meio da noite, quando as câmeras normalmente estão transmitindo de forma aleatória a cada fração de hora. Imaginou, por isso, se o velho estava caduco ou se brincava com ele, já que parecia não haver câmeras no recinto, o que tornava estar ali bastante assustador.
O garoto ponderou sobre sua situação. Como não sabia como agir ou o que fazer, decidiu fazer diretamente todas aquelas perguntas ao velho, mas só conseguiu permanecer estático de medo. E se houvesse alguma câmera escondida? E se o velho o punisse por falar diretamente com ele?
Tinha muito receio de acidentalmente olhar nos olhos dele, pois já tinha aprendido que quando se olha nos olhos de alguém se pode ter a alma roubada. Não. Era preciso olhar para o outro apenas através da telinha, pois assim não se corria risco. Seus colegas tinham conhecido alguns Sem-Alma e lhe contaram como eram nojentos. Ele mesmo quase tinha tido sua alma roubada uma vez quando viu rapidamente os olhos de Raquela, sua irmã.
Ela estivera por muito tempo olhando diretamente para o rosto dele e por isso ele a reportou às autoridades. Aquela menina tinha quase acabado com a vida de ambos com aqueles olhos castanhos de barro e aquela proximidade irritante.
Contudo, lembrar de Raquela trazia-lhe certa dor. Muitas vezes, deitado à noite, pensava nela. Acreditava ter agido certo ao denunciá-la, mas supunha que aquilo o havia danificado para sempre. Tinha constantes pesadelos com os dois rindo e conversando diretamente um com o outro. Andavam de mãos dadas num lugar sem câmeras, sinais ou carros. O chão que pisavam era feito de um cimento verde macio e estavam cercados por aqueles alojamentos primitivos de animais, iguais aos que tinha visto no passeio feito ano passado ao Jardim Botânico. Então, não havia mais ninguém por perto a não ser os dois e Raquela chegava perto e o abraçava forte e...
O velho subitamente o arrancou desses pensamentos ao colocar outro vídeo daquela mulher. Ele a viu pela última uma vez andando desconsoladamente na chuva primaveral e se perguntou se ela quando pensava em Arnaud também teria sentido aquele mesmo aperto que ele tinha agora quando pensava na irmã. Será que ela também se perguntava o que aquilo poderia significar?