proesias reunidas para leitores imaginários

22 de nov. de 2008

Escritas Antigas

Reminescências de uma vida a dois:

Submissão

Seu olhar me enfeitiça.
Pois ele que é feito de veludo,
grita ao estar em silêncio.
Ele tem gosto de mel,
de oásis perdido em deserto escaldante.
Ele é maresia.
Ele é uma criança brincando no balanço.
Ele é fogo, flecha e vulcão.
Ele é o alvo de todas as nuances do céu.
O dia só nasce e se põe com o abrir e fechar dos seus olhos.
Porque seu olhos...
Seus olhos que tantas vezes me rasgaram o peito e as roupas,
espelham apenas o reflexo da totalidade do amor.


Fotos rasgadas

As fotos rasgadas e o tempo não passa.

Árvores balançam lá fora.
E o tempo que não passa.

Relógio tictacteia sem parar.
Mas o tempo que não passa.

Pessoas andam, carros cortam-se no trânsito.
E aquele tempo que não passa.

Sol brilha forte, crianças correm e gritam e se agitam e caem.
Ainda assim, o tempo não passa.

Na praia ondas vão e vem, vão e vem, vão e vem.
Aqui o tempo pára.

Ônibus zigzagueiam na pista, olhares se despistam.
E o tempo nada.

No jornal: Senhor tropeça, mulher desmaia,
E nada.

Cigarro acende e apaga.
Copo enche e de um gole esvazia.
Assim mesmo, nada.

Na cama: nossas fotos rasgadas,
Do tempo que não mais volta.

Lá fora: absolutamente nada,
Nem a eternidade de um segundo.


P.A.Z.

paz
turbilhão de sentimentos que cessam de andar depressa.
tudo se move, nada pára, só.
não é triste, não é morte, não é perda, é apenas.

paz
sentimento obtuso, anguloso, simples e desconfuso.
Algo que grita gentilmente em silêncio.
Que chora solemente de riso.
Que em segredo esconde o perplexo.

paz
Passeia entre meus cabelos a cortar, unhas a pintar e maquiagem de palhaço a fazer.
Que espanta quem sente e engana quem vê.
Que é também a angustia, o nirvana, o balanço.

paz
Que existe somente em (res)sentimento.


Besteirinhas da vida p'ra levar:


Poça d'água

Penso, logo existo.
Penso, logo não durmo.
Penso, logo desisto.
Penso, logo consumo.
Penso, mas logo esqueço.
Penso, mas não entendo logo.
Penso, mas não entendo e durmo.
Penso, logo logo te respondo.
Penso?


Resolva, meu bem

Descobri que não sei nada da vida,
Nada de samba, mulato, futebol ou ferida.
Não sei nada de nada, nem ao menos a saida.

Mas como resolver esse impasse,
Sair desse desfarce,
Encobrir o desfalque?

Não sei isso também,
Então, vai, resolva, meu bem.
Porque, senão, seja a pé ou de trem
Vou-me embora prá passárgada.

3 comentários:

Cabeludo disse...

Gostei desse post, mais rápido, mais fácil.......

Belos textos....

adriano disse...

gostei muito, tati. depois vc acha que nao leva jeito pros versos...

Luiza Trindade disse...

tb gostei