voz nem paz
não lhes dêem
não são doces
torturem-nas
sempre, desde cedo
escolham as mais prudentes
maltratem-nas
façam berrar
não são certas
tornem apátridas
virem-se ao averso
entornem seus sentidos
que a todos encerram
serrem
seus lábios gozados pelas glosas brandas
calem
suas línguas de paz feito brancas
sangrem
pelas ancas suas veias lavradas
que para velho verso só servil
seus lábios gozados pelas glosas brandas
calem
suas línguas de paz feito brancas
sangrem
pelas ancas suas veias lavradas
que para velho verso só servil
digo,
dos gritos suas súplicas
ai de terem feito.
fustiguem-nas até morrerem
pois de dores lancinantes
depois de pútridas e enterradas
no chão surgirão renascidas
naquilo que jamais queriam ser
estouvadas utópicas erradas
estúpidas palavras estúpidas
sendo salvadoras palarvas turvas
4 comentários:
Gostei! Por mais que o ponto de exclamação não caiba no clima do poema, acho que vale a expressão...
A última estrofe é linda.
Drics,
tenho que ler com mais calma, mas por enquanto, posso dizer: gosto do pensamento sobre a linguagem. Entendo que há força, por isso o tom, solene, a meu ver, não fica artificial, mas enxugaria, cortaria um pouco, ainda mexeria. Começando pelo título, que de tudo é o que menos faz minha cabeça.
Bjka
Mas sei que às vezes o tom corresponde a uma época específica e é preciso mantê-lo, como uma marca do que então motivou o poema.
ficou parecendo que não gostei. ai as palavras! antes de tudo, eu gostei muito, já tinha te dito. tem coisas que adoro.
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